O INSTITUTO PIETISTA DE CULTURA (IPC) é um Instituto Teológico mantido pela IBRM (Igreja Batista Renovada Moriá). A sua missão é promover o ensino do pensamento cristão dentro de uma perspectiva interdisciplinar, combinando o aspecto acadêmico da teologia com o aspecto devocional da fé.

O IPC se propõe a oferecer cursos livres de teologia em nível médio e superior. Além disso, pretende oferecer cursos de extensão em temas teológicos específicos de caráter apologético e transdisciplinar. Os referidos cursos de extensão proporcionarão suporte aos Seminários e Faculdades Teológicas existentes, oferecendo a oportunidade de complementação e especialização dos estudos.

O IPC também oferecerá Cursos de Pós-Graduação em convênio com Instituições de Ensino Superior já credenciadas pelo MEC.

O corpo docente do IPC é formado por professores graduados e pós-graduados (especialização, mestrado, doutorado) em Universidades credenciadas pelo MEC e pela CAPES. Alguns de nossos professores também são professores de Universidades Federais e Estaduais, tendo ampla experiência em cargos de coordenação, em composição de currículos universitários e em assessoria de autorização e reconhecimento de cursos de graduação junto ao MEC.

Os professores do IPC têm também ampla produção cultural através da publicação de livros e de artigos em revistas e jornais especializados. O Jornal TOCHA DA VERDADE é um periódico teológico vinculado ao IPC. As obras da Editora Moriá também dão especial atenção aos temas de aprofundamento do IPC.

POR QUE É PIETISTA?

No século XVII, após a morte de Martinho Lutero, as igrejas protestantes na Alemanha se entregaram a disputas teológicas, negligenciando o aspecto experimental e prático da fé. Nesse instante, Filipe Jacob Spener apareceu em cena através de seu livro “Desejos de Piedade” (1675). Ele protestava contra a crença popular de que a pessoa podia se considerar cristã pelo simples batismo infantil. Contra isso, ele interpunha a exigência do novo nascimento como uma experiência pessoal. Spener não se opôs a teologia, mas insistiu na importância dos estudos bíblicos acontecerem em um contexto de fervor espiritual. Ele enfatizou a fé viva contra a ortodoxia morta.

Spener introduziu um sistema de grupos de estudos bíblico nos lares e ressaltou o sacerdócio universal dos crentes. Os seus “colégios de piedade” inspiraram as “sociedades metodistas” na Inglaterra. O pietismo alemão correspondeu ao evangelicalismo anglo-saxão.

O convertido mais importante de Spener foi A. H. Francke (1663-1727), outro grande líder do movimento pietista antigo. Francke fundou uma nova universidade dentro da orientação pietista.

A influência do pietismo foi poderosa. O afilhado de Spener, Conde Zinzendorf, importante líder dos irmãos morávios, trouxe grande impulso ao movimento missionário evangélico. Através dos irmãos Morávios, John Wesley se converteu na Inglaterra, e, pelo seu ministério, a Inglaterra conheceu o maior avivamento espiritual de sua história.

O IPC é pietista porque ressalta uma fé viva, um cristianismo experimental, o fervor evangélico e missionário. Como M. Lloyd-Jones, compreendemos a pregação e o ensino como “razão eloqüente” e “lógica em chamas”!

POR QUE “DE CULTURA”?

Por que visa a uma formação interdisciplinar que capacite os alunos a argumentarem a favor da fé cristã em um ambiente acadêmico secular. A nossa preocupação é com o equilíbrio entre “identidade e relevância”. Pretendemos argumentar nos “jogos de linguagem” dos acadêmicos, mas sem fazer concessões no conteúdo bíblico de nossa fé.

Oferecemos formação teológica capaz de não ser abalada pelas modernas críticas do pensamento secularizado.

A NECESSIDADE DE UM SEMINÁRIO GENUINAMENTE BÍBLICO (PARTE III)

 A QUESTÃO DO DIVÓRCIO

            O casamento é uma instituição divina em torno da qual deve haver a mais profunda reverência (Hebreus 13: 4), pois Deus abençoou o primeiro casal (Gênesis 1: 28). Jesus operou o seu primeiro milagre numa festa de casamento e Paulo assemelhou o relacionamento do casal ao relacionamento que há entre Cristo e a igreja.
            Jesus não admitiu o divórcio senão em uma única exceção. Essa exceção ocorrerá quando um dos cônjuges romper deliberadamente o voto conjugal de fidelidade sexual, não manifestando arrependimento e perseverando no erro. Nesse caso, o cônjuge inocente tem o direito (não o dever) de se divorciar. Esse divórcio só aproveita ao inocente, ou seja, ele não oportuniza a chance de novo casamento para o culpado. Isso também não significa que se recomenda ao inocente que se apresse para novo casamento.
            Jesus disse:

“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas (a tradução para o plural objetiva assinalar prática deliberada), e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mateus 19:9).

            Jesus, ao contrastar suas palavras com as de Moisés, estabelecia o padrão perfeito, pois Moisés fora condescendente com a fraqueza humana, tolerando o pecado (embora não o tenha legitimado) – Mateus 19: 8. 
            No livro ENTENDES O QUE LÊS (Edições Vida Nova) de Gordon D. Fee e Douglas Stuart, entretanto, o divórcio é justificado para mostrar condescendência com a sociedade profana:

“O divórcio dificilmente seria uma opção válida para casais quando os dois querem ser seguidores de Jesus – consideração esta que é repetida por Paulo em I Coríntios 7: 10-11. Numa cultura tal como os Estados Unidos, porém, em que um de dois adultos convertidos terá sido divorciado, a questão de um novo casamento provavelmente não deve ser decidida sem consideração e sem solicitude redentora para com os novos convertidos. Nossas primeiras suposições acerca do significado das palavras de Jesus faladas num contexto cultural inteiramente diferente devem ser cuidadosamente examinadas.” (p. 115)

            O que os autores desse livro de hermenêutica bíblica (adotado como livro básico em muitos seminários) estão dizendo é que o padrão de Jesus não se aplica aos incrédulos da cultura ocidental. Se alguém adulterou e se divorciou da mulher antes de se converter, depois de se converter poderá se casar de novo pela “solicitude redentora” (?). Assim, o incrédulo tem mais direitos que o crente, pois ele pode se casar mais de uma vez, mas o crente não. O incrédulo tem “solicitude redentora”, mas ele a perde depois que, já sendo crente, casa. Que loucura!
            Na visão dos autores desse livro confuso, as palavras de Jesus devem ser relativizadas pelo contexto cultural, apesar de Jesus ter apelado para o padrão da criação, de ter oposto sua palavra à de Moisés e de ter usado sua autoridade pessoal e divina (“Eu, porém, vos digo”).
            Eu fico pensando como esse pensamento se aplicaria a quem acredita na perda da salvação. O cidadão casa na igreja e, depois, se desvia, “perdendo a sua salvação” e “voltando” a ser incrédulo. Agora, ele pode se divorciar, pois, se ele se reconciliar, a “solicitude redentora” lhe permitirá um novo casamento.
            Eu conheço um homem que era de uma certa igreja, mas deixou a mulher para casar com outra. A sua justificativa foi a de que, quando ele era casado com a primeira, não era de fato convertido. Agora, porém, ele era “convertido” e seu novo casamento vale pela “solicitude redentora”!?
            Do ponto de vista teológico, eu tenho uma pergunta: Como o pecado deixa de ser pecado? Afinal de contas, se o pecado é contra Deus e sua lei, ele só pode não ser mais pecado se a lei de Deus e o próprio Deus mudarem!
            Jesus disse que quem deixa a mulher e casa com outra comete adultério. O seu novo relacionamento é adúltero. Obviamente, a pessoa pode se converter, deixando o adultério, mas, se ela permanecer no ato, ele pode deixar de ser um adultério abominável aos olhos de Deus para se transformar no santíssimo matrimônio?
            Os autores do referido livro querem ser divorcistas para mostrarem condescendência com a imoralidade da sociedade americana, a qual teve formação protestante. Será que a corrupção da fé merece condescendência?
            O que Jesus disse vale para os incrédulos. A proibição de Jesus ao divórcio veio em resposta a uma pergunta feita pelos FARISEUS (Mateus 19: 3). Os discípulos acharam a palavra de Jesus dura para um CONTEXTO CULTURAL QUE JÁ TOLERAVA O DIVÓRCIO, mas Jesus não cedeu:

“Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher; não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra,mas só aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do Reino dos Céus.Quem pode receber isso, que o receba.” (Mateus 19:12).

            Se alguém, antes de ser crente, deixou a mulher para viver em adultério, e, agora, ela não mais o quer de volta, então o tal se faça eunuco para entrar no céu!
            O mundo pode não querer aceitar os padrões de Cristo, mas a igreja tem que aceitar.
            Deus nos livre da hermenêutica que favorece ao pecado e domina a maioria dos seminários e igrejas! 

A NECESSIDADE DE UM SEMINÁRIO GENUINAMENTE BÍBLICO (PARTE II)

Em artigo anterior, nós vínhamos comentando o livro ENTENDES O QUE LÊS (Edições Vida Nova) de Gordon D. Fee e Douglas Stuart, bem como lamentando o fato de sua indicação predominante na disciplina de hermenêutica bíblica da maioria dos seminários. Na oportunidade, eu fiz alusão às posições vacilantes, confusas e comprometedoras de Gordon Fee, um dos seus autores. Continuaremos aqui essa avaliação.
  
No livro ENTENDES O QUE LÊS, é dito:

“... Quando Paulo conta aos tessalonicenses que importa que se lembrem de que ‘eu costumava  dizer-vos estas coisas’, e, portanto, ‘sabeis o que o detém’ (2 Ts 2: 5-6), talvez devamos aprender a contentar-nos com nossa falta de conhecimento. Aquilo que ele lhes contara oralmente, eles agora podiam encaixar naquilo que agora dizia por carta. Nossa falta da comunicação oral torna a escrita especialmente difícil. Aceitamos como truísmo, no entanto: aquilo que Deus deseja que saibamos, Eles nos comunicou; aquilo que Ele não nos contou pode ainda ser interessante, mas nossa incerteza nestes pontos deve levar-nos a hesitar acerca de sermos dogmáticos” (p. 43)

O argumento de Fee sustenta a impossibilidade de termos o conhecimento correto de certos versículos da Bíblia, em razão de não sabermos o que os apóstolos disseram de forma oral. Isso não é exatamente o que o catolicismo ensina quando reivindica uma tradição oral necessária ao entendimento e complemento da Bíblia?
  
Fee parece considerar as cartas de Paulo como se não fizessem parte de um livro maior (a Bíblia) inspirado por Deus. Se Deus inspirou as cartas de Paulo, por que as deixaria lacunosas? Por que permitiria que Paulo fizesse alusão a assuntos que dependeriam de informações orais perdidas? Onde ficaria a providência de Deus?

Fee trata as cartas de Paulo isoladamente uma das outras. Ele não percebe que aquilo que Paulo falou obscuramente em uma carta tem explicação na outra. As coisas que Paulo assevera ter falado oralmente a um grupo de irmãos, embora não seja objeto de registro na própria carta em que ele afirma isso, tem o seu conteúdo mencionado em outra carta ou livro da Bíblia. O Espírito Santo, que faz tudo perfeito, evitou redundâncias desnecessárias.

“O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos... Estas coisas vos escrevemos...”  (I João 1: 3-4)

Paulo reconheceu em dado momento de sua carreira que era um órgão da revelação para COMPLETAR a Palavra de Deus, embora não em uma única carta:

“Da qual estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para CUMPRIR a Palavra de Deus” (Colossenses 1: 25)

Quando Fee diz que os leitores contemporâneos da Bíblia nunca irão saber ao certo o que Paulo quis dizer em determinadas passagens de suas epístolas, pois o apóstolo presumia de seus leitores imediatos o conhecimento de informações que haviam sido oralmente transmitidas e cujo conteúdo não está mais disponível, ele torna certos textos da Bíblia inúteis. Paulo, porém diz que toda escritura é proveitosa (I Timóteo 3: 16).

“Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito” (Romanos 15: 4).

Fee ignora a hermenêutica defendida pelos reformadores, a qual mencionava a analogia da fé, a interpretação da Bíblia pela Bíblia, o entendimento dos textos obscuros pelos claros. Ele parece não levar em conta a unidade da Bíblia e a obra do Espírito que garante essa unidade.

Os reformadores criam que não precisávamos apelar para nenhum conhecimento além da Bíblia para compreendê-la. As informações culturais e históricas necessárias à interpretação da Bíblia deveriam ser encontradas nela mesma, não em manuais de historiadores. A obra dos historiadores pode confirmar o sentido da Bíblia, mas não determiná-lo. Os elementos contextuais a serem levados em conta na interpretação da Escritura devem estar inscritos no seu próprio texto. É isso que os lingüistas chamam de “índices de contextualização” (J. Gumperz).

Talvez alguém ache que eu estou radicalizando as afirmações de Fee em seu desproveito. Quem pensa isso deve ficar atento a grave heresia que Fee sugere:

“... Seja o que for que os coríntios estavam fazendo quando ‘se batizavam por causa dos mortos’, só o sabemos por que Paulo se referiu a prática deles. A própria ação deles era um tipo de ‘prova pela experiência’ de que não estavam sendo consistentes ao rejeitarem uma ressurreição futura dos crentes ... Alguns dos coríntios REALMENTE ESTAVAM SENDO ‘BATIZADOS POR CAUSA DOS MORTOS’, QUER GOSTEMOS, QUER NÃO. ALÉM DISSO, PAULO NEM CONDENA NEM DESCULPA A PRÁTICA DELES [...] NÃO SABEMOS, PORÉM, E PROVAVELMENTE NUNCA SABEREMOS, QUEM FAZIA ASSIM, EM PROL DE QUEM O FAZIAM, E POR QUE O FAZIAM. OS PORMENORES E O SIGNIFICADO DA PRÁTICA, PORTANTO, PROVAVELMENTE ESTARÃO PERDIDOS PARA SEMPRE, NO QUE DIZ RESPEITO A NÓS...” (p. 43)
           
No texto acima, Fee se irmana com os mórmons. Para ele, os crentes de Corinto se batizavam pelos mortos e Paulo não condenava isso! Para Fee, a única razão para não estarmos batizando as pessoas pelos mortos é o fato de não sabermos dos pormenores do ritual, pois Paulo foi omisso!?

Se Deus, entretanto, fosse favorável ao batismo pelos mortos, como esqueceria de nos instruir? Como poderia a Bíblia ser a nossa regra de fé e PRÁTICA?

Não eram os crentes de Corinto que batizavam pelos mortos, mas os pagãos. Paulo, querendo provar que a ressurreição dos mortos estava de acordo com natureza das coisas, apelou para argumentos da natureza (a semente que morre e renasce) e para a intuição (ainda que pervertida) dos pagãos. Eram os pagãos, não os cristãos, que se batizavam pelos mortos. Paulo usou a TERCEIRA PESSOA no falar:

“Doutra maneira, que farão OS QUE se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam ELES, então, pelos mortos?” (I Coríntios 15: 26).

Paulo não disse VÓS, mas ELES. Ele não comentou os detalhes desse rito pagão porque não eram de interesse para os cristãos.

A “hermenêutica” de Fee é a que é defendida pelos grandes seminários! Deus nos dê um genuíno seminário bíblico! É urgente!

Prof. Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho

A NECESSIDADE DE UM SEMINÁRIO GENUINAMENTE BÍBLICO (PARTE I)

            Eu tenho sentido a urgente necessidade de fazermos um seminário sério que possa cuidar da formação de pregadores bíblicos e ortodoxos. Alguém, talvez, me replique alegando que já existem muitos seminários. Foi, porém, examinando muitos seminários que eu conclui a necessidade de um novo.
            Antigamente, o grande inimigo do cristianismo ortodoxo foi liberalismo, o qual negava a inspiração plenária da Bíblia. Agora, o grande adversário do cristianismo bíblico é a hermenêutica de bloqueio. Por ela, não se nega explicitamente a inspiração da Bíblia, mas se estabelecem critérios interpretativos que imunizam os leitores da Escritura de suas reivindicações.
            O livro mais popular de hermenêutica nos seminários evangélicos é o livro ENTENDES O QUE LÊS (Edições Vida Nova) de Gordon D. Fee e Douglas Stuart. O referido livro é considerado um guardião da hermenêutica ortodoxa. É recomendado por pentecostais e tradicionais. Esse livro, no entanto, é cheio de erros tanto na sugestão de regras de interpretação como nos exemplos práticos. Em muitos pontos, ele nega explicitamente as regras de hermenêutica que serviram de pano de fundo para os reformadores protestantes do século XVI. Pretendemos em artigos posteriores (não necessariamente em seqüência cronológica) mostrar os graves erros contidos nesse livro. Agora, porém, queremos falar sobre o principal de seus autores: Gordon D. Fee.
            Gordon D. Fee tem origem pentecostal e afirma essa origem. Apesar disso, é um dos autores preferidos dos tradicionais. Como pode ser isso?
            A verdade é que Fee, apesar de se classificar como pentecostal, nega a experiência do Batismo no Espírito Santo como uma experiência diferente da conversão nos escritos de Paulo. Em seu livro PAULO, O ESPÍRITO E O POVO DE DEUS, ele diz:

            “... Alguns têm argumentado em favor do batismo do Espírito, pelo qual eles querem dizer uma experiência separada e distinguível da conversão. Mas isto tem contra si tanto o uso Paulino (em lugar algum ele usa este termo ou aponta claramente para tal segunda experiência) como a ênfase neste contexto, que não incide sobre uma experiência especial no Espírito além da conversão, mas sobre o recebimento comum do Espírito [...] A questão premente, por outro lado, é se Paulo também teve a concepção de uma obra da graça depois da conversão, à qual a expressão ‘batismo do Espírito’ pode ser corretamente aplicada. Embora alguns dos textos de Paulo tenham sido interpretados desta forma, a plena evidência destas passagens em contexto torna isto incerto. Se Paulo sabia de tal experiência é um ponto discutível, contra-argumentado primeiramente com base no silêncio.” (p. 216, 219-220)

            Embora aceite teoricamente a atualidade dos dons carismáticos, Fee declara:

            “A questão quanto a saber se o ´falar em línguas` nas comunidades pentecostais e carismáticas contemporâneas é o mesmo em qualidade como aquela nas igrejas paulinas é um ponto discutível – e provavelmente irrelevante. Não há simplesmente um meio de saber.” (Op. Cit., p. 186).

            As passagens acima deixam claro que Fee não é um legítimo pentecostal. É por esse motivo que ele é um “herói” entre os tradicionais. A prática de Fee, porém, é desonesta. Ele se mascara de pentecostal para destruir a doutrina pentecostal. Talvez algum tradicional que acredite que os fins justifiquem os meios queira justificá-lo, mas o melhor remédio para esses é sentir na pele a mesma traição. Fee também “passa a perna” em todos os protestantes e evangélicos. É o que passarei a falar.
            A doutrina básica da Reforma Protestante é a doutrina da justificação pela fé (princípio material da Reforma). Lutero e Calvino diziam que essa doutrina é a que decide se uma igreja está de pé ou caída.
            A justificação pela fé é o entendimento de que Deus nos imputa a justiça de Cristo (justificação forense ou extrínseca) quando cremos em sua pessoa e sacrifício. Os crentes crêem que estão em processo de santificação pelo Espírito Santo, mas a sua santificação intrínseca não é base de sua aceitação diante de Deus, pois somos aceitos por Deus na justiça imputada de Cristo. Os católicos, por sua vez, não crêem na justificação forense ou extrínseca, confundindo justificação com santificação. Para os católicos, a santificação (e, logo, as obras) é o padrão de aceitação diante de Deus.
            Gordon D. Fee expressa a sua opinião sobre o assunto:

            “A opinião tradicional, fomentada pelos reformadores e perpetuada pelas gerações de protestantes, é que a ´justificação pela fé` é a chave para essa teologia. Esta posição enfatiza o histórico ato salvífico de Cristo em nosso benefício e nossa aceitação dele por meio da fé. A INEDAQUABILIDADE DESTE PONTO DE VISTA É QUE ELE FOCALIZA UMA METÁFORA DA SALVAÇÃO, COM EXCLUSÃO DE OUTRAS... Em resposta a isto, outros encontraram como centro da teologia de Paulo sua mística experiência de estar em Cristo. Esta visão MUDOU O FOCO DA OBRA HISTÓRICA DE CRISTO E SUA APROPRIAÇÃO PELO CRENTE PARA A CONTÍNUA EXPERIÊNCIA DE CRISTO DOS CRENTES” (Op. Cit., p. 5)

            Apesar de toda a ênfase de Paulo na justificação pela fé em Gálatas, Fee diz:

            “Sem dúvida, a experiência do Espírito escatológico prometido, não justificação pela fé, forma a essência da argumentação de Paulo numa carta (aos gálatas) devotada principalmente a este ponto... Porque o Espírito é suficiente para fazer o que o Torá não era capaz de fazer em termos de justificação, a saber, ‘para que as ordens justas da lei pudessem ser completamente CUMPRIDAS POR NÓS, que vivemos de acordo com o Espírito” (p. 111-112).

            Gordon Fee, o pentecostal tradicional, o protestante católico, é o grande mestre de hermenêutica dos seminários evangélicos! Que lástima! Precisamos de um verdadeiro seminário logo!

Prof. Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho   

TEOLOGIA COM ORAÇÃO

Robert Murray McCheyne nasceu em Edimburgo. Ele teve uma formação teológica calvinista, mas fez críticas a compreensão tradicional do calvinismo acerca da expiação limitada e da graça irresistível. Ao concluir os seus estudos teológicos, ele aceitou o pastorado na igreja de São Pedro em Dundee. O seu ministério foi breve (sete anos), pois morreu aos vinte e nove anos em 1843. Apesar disso, ele sacudiu a Escócia, e, pelos seus sermões impressos, ainda fala.

McCheyne é um exemplo de pregador avivado e avivalista. Ele era incrivelmente culto, dominando a língua hebraica suficientemente para conversar com os judeus europeus. Era um exímio conhecedor dos poetas da Grécia clássica. Ele conservou seu diário protegido dos olhos dos curiosos, escrevendo-o em latim. Sendo musicista, compôs hinos que se tornaram imortais. Também pintou brilhantes quadros. Acima de tudo, porém, Robert M. McCheyne foi um homem de oração. “Como Deus é real!”, ele disse certa vez para si mesmo. “Deus é a única pessoa com quem eu posso conversar”.

Depois da morte de McCheyne, um visitante foi conhecer a catedral onde ele pregava. Um jovem mostrou-lhe um lugar onde se encontravam ainda os livros de McCheyne. Querendo o visitante saber mais sobre o pregador, o jovem acompanhante disse: “Sente-se aqui”. Em seguida, falou: “Agora ponha os cotovelos sobre a mesa e ponha as suas mãos na face”. O visitante obedeceu. “Agora deixe que as lágrimas fluam. Era assim que o Sr. McCheyne costumava fazer!”

John Fletcher de Madeley foi o maior teólogo metodista dos dias de John Wesley. John Wesley o imaginava como seu sucessor, mas ele morreu antes. No funeral de Fletcher, Wesley disse ter sido ele o homem mais santo que havia conhecido. Tomas Benson conta que após uma breve palestra aos seus alunos, John Fletcher os chamou para uma “aula prática” em seu gabinete. Então, Benson afirma: “A esta palavra, muitos de nós o seguimos imediatamente e permanecemos em sua sala até a tarde por duas ou três horas, orando uns pelos outros até não conseguirmos mais permanecer de joelhos”.

O Dr. Samuel Chadwick foi o presidente da Universidade Cliff (Inglaterra), onde Leonard Ravenhill teve a sua formação teológica. Acerca de Chadwick, disse Ravenhill:

“Anos mais tarde, Samuel Chadwick, apesar de estar com a saúde frágil, ainda mantinha seu ritmo de oração. Eu via sua luz acesa até tarde da noite, empenhando-se no estudo da Palavra e, no dia seguinte cedo, ele já estava em oração. Samuel Chadwick, enquanto viveu, foi uma labareda ardente no Espírito Santo.”

O Dr. Samuel Chadwick disse:

“Não há nada mais poderoso que a oração perseverante – como a de Abraão pleiteando por Sodoma; como Jacó lutando no silêncio da noite; como Moisés permanecendo na brecha; como Ana, embriagada de tristeza; como Davi com o coração quebrantado pelo arrependimento e pela dor; como Jesus suando sangue. Acrescente a essa relação, a partir dos registros da história da Igreja, sua própria observação e experiência pessoal, e sempre haverá o custo da paixão até o sangue. Essa é a oração eficaz que transforma mortais comuns em homens de poder. Essa é a oração que traz o poder, que traz o fogo, que traz a chuva. Ela traz vida, ela traz a presença de Deus.”

O Instituto Pietista de Cultura (IPC) procurará não apenas dar uma formação bíblica e teologicamente equilibrada, mas também fomentar o espírito de oração. O conhecimento sem a oração faz hipócritas, mas a teologia bíblica com a oração fervorosa faz labaredas de fogo!

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho (Ms., D., LD)

TEOLOGIA ORTODOXA E EXPERIÊNCIA REAL

O professor Howard Osgood, para mostrar como o pensamento secular havia contaminado as igrejas mais ortodoxas, leu uma declaração de certas posições e perguntou se não representava a chamada postura “crítica” dos eruditos que dominavam os seminários modernos. A audiência concordou. Depois disso, Osgood surpreendeu a todos, exclamando: “Estou lendo um trecho do livro de Thomas Paine, ‘A Idade da Razão’ (Age of Reason)”.
A verdade é que o pensamento secular tem entrado de forma anônima na teologia das Faculdades e Seminários de nosso tempo. A falta de amplos conhecimentos por parte de muitos professores, por sua vez, os impede de sequer identificar por quais autores estão sendo influenciados. A igreja é modelada inconscientemente pelo presente século.
R. A. Torrey disse:

“Nossos futuros ministros estão freqüentemente sendo educados por professores infiéis, e por serem ainda meninos imaturos quando entram na faculdade ou no seminário, naturalmente acabam se tornando infiéis ao fim do curso e, em muitos casos, envenenam a igreja quando saem.”

Torrey continua:

“Mesmo quando nossos ministros são ortodoxos – como graças a Deus muitos deles são! – freqüentemente não são homens de oração. Quantos ministros modernos sabem o que é lutar em oração, passar uma boa parte da noite orando? Não sei quantos, mas sei que muitos não fazem isso.”

A. W. Tozer observa que o fundamentalismo, embora tenha tido um glorioso papel no combate ao liberalismo teológico e na defesa do credo cristão histórico, foi vitimado pelas suas próprias virtudes. Paradoxalmente, a Palavra morreu nas mãos de seus amigos. “Silenciou a voz do profeta e o escriba empolgou as mentes dos fiéis”.
Para Tozer, o textualismo foi o problema do fundamentalismo. O erro do textualismo não é doutrinário, mas resulta da confusão entre o conhecimento do texto e a realidade da experiência. A. W. Tozer explica:

“Ele (o textualismo) admite, por exemplo, que, tendo-se a palavra para uma coisa, temos a própria coisa. Se está na Bíblia, está em nós. Se temos a doutrina, temos a experiência. Dizem: se isto ou aquilo era verdade a respeito do Apóstolo Paulo, necessariamente é verdade também a nosso respeito, porque aceitamos que as Cartas dele são inspiradas por Deus. A Bíblia nos diz como nos podemos nos salvar, mas o textualismo vai mais longe, fazendo-a dizer que estamos salvos, algo que pela verdadeira natureza das coisas não se pode fazer. A certeza da salvação individual assim não passa de mera conclusão lógica tirada de premissas doutrinárias e nada mais é que o resultado de uma experiência inteiramente mental.”

De outro lado, os pentecostais contemporâneos parecem estar atrás da experiência pela experiência. Eles não partem da Bíblia para buscarem as experiências, mas, antes, cativados pelo relato de alguma experiência sensacional, buscam a mesma experiência por curiosidade sensitiva. Depois que resolvem querer a experiência, eles também resolvem encontrá-la na Bíblia a qualquer custo, justificando-a com versículos bíblicos fora do contexto e argumentos ridículos.
O INSTITUTO PIETISTA DE CULTURA é o sinal de um novo alvorecer, é um retorno às origens. Pretendemos conhecer o pensamento secular para não nos secularizarmos. Desejamos conhecer a teologia com experiência viva. Almejamos a experiência que seja bíblica. Na busca do equilíbrio com profundidade, do conhecimento com sentimento, da lógica com realidade, nós iremos caminhar.
Rogamos a oração de todos os que buscam uma renovação espiritual no ensino teológico. Como no passado, vamos fazer do ensino teológico a fonte de um reavivamento!

APRESENTAÇÃO DO INSTITUTO PIETISTA DE CULTURA

O INSTITUTO PIETISTA DE CULTURA (IPC) é um Instituto Teológico mantido pela AMEC (Associação Moriá de Educação Cristã). A sua missão é promover o ensino do pensamento cristão dentro de uma perspectiva interdisciplinar, combinando o aspecto acadêmico da teologia com o aspecto devocional da fé.

O IPC se propõe a oferecer cursos livres de teologia em nível médio e superior. Além disso, pretende oferecer cursos de extensão em temas teológicos específicos de caráter apologético e transdisciplinar. Os referidos cursos de extensão proporcionarão suporte aos Seminários e Faculdades Teológicas existentes, oferecendo a oportunidade de complementação e especialização dos estudos.

O IPC também oferecerá Cursos de Pós-Graduação em convênio com Instituições de Ensino Superior já credenciadas pelo MEC.

O corpo docente do IPC é formado por professores graduados e pós-graduados (especialização, mestrado, doutorado) em Universidades credenciadas pelo MEC e pela CAPES. Alguns de nossos professores também são professores de Universidades Federais e Estaduais, tendo ampla experiência em cargos de coordenação, em composição de currículos universitários e em assessoria de autorização e reconhecimento de cursos de graduação junto ao MEC.

Os professores do IPC têm também ampla produção cultural através da publicação de livros e de artigos em revistas e jornais especializados. O Jornal TOCHA DA VERDADE é um periódico teológico vinculado ao IPC. As obras da Editora Moriá também dão especial atenção aos temas de aprofundamento do IPC.

POR QUE É PIETISTA?

No século XVII, após a morte de Martinho Lutero, as igrejas protestantes na Alemanha se entregaram a disputas teológicas, negligenciando o aspecto experimental e prático da fé. Nesse instante, Filipe Jacob Spener apareceu em cena através de seu livro “Desejos de Piedade” (1675). Ele protestava contra a crença popular de que a pessoa podia se considerar cristã pelo simples batismo infantil. Contra isso, ele interpunha a exigência do novo nascimento como uma experiência pessoal. Spener não se opôs a teologia, mas insistiu na importância dos estudos bíblicos acontecerem em um contexto de fervor espiritual. Ele enfatizou a fé viva contra a ortodoxia morta.

Spener introduziu um sistema de grupos de estudos bíblico nos lares e ressaltou o sacerdócio universal dos crentes. Os seus “colégios de piedade” inspiraram as “sociedades metodistas” na Inglaterra. O pietismo alemão correspondeu ao evangelicalismo anglo-saxão.

O convertido mais importante de Spener foi A. H. Francke (1663-1727), outro grande líder do movimento pietista antigo. Francke fundou uma nova universidade dentro da orientação pietista.

A influência do pietismo foi poderosa. O afilhado de Spener, Conde Zinzendorf, importante líder dos irmãos morávios, trouxe grande impulso ao movimento missionário evangélico. Através dos irmãos Morávios, John Wesley se converteu na Inglaterra, e, pelo seu ministério, a Inglaterra conheceu o maior avivamento espiritual de sua história.

O IPC é pietista porque ressalta uma fé viva, um cristianismo experimental, o fervor evangélico e missionário. Como M. Lloyd-Jones, compreendemos a pregação e o ensino como “razão eloqüente” e “lógica em chamas”!

POR QUE “DE CULTURA”?

Por que visa a uma formação interdisciplinar que capacite os alunos a argumentarem a favor da fé cristã em um ambiente acadêmico secular. A nossa preocupação é com o equilíbrio entre “identidade e relevância”. Pretendemos argumentar nos “jogos de linguagem” dos acadêmicos, mas sem fazer concessões no conteúdo bíblico de nossa fé.

Oferecemos formação teológica capaz de não ser abalada pelas modernas críticas do pensamento secularizado.