O INSTITUTO PIETISTA DE CULTURA (IPC) é um Instituto Teológico mantido pela IBRM (Igreja Batista Renovada Moriá). A sua missão é promover o ensino do pensamento cristão dentro de uma perspectiva interdisciplinar, combinando o aspecto acadêmico da teologia com o aspecto devocional da fé.

O IPC se propõe a oferecer cursos livres de teologia em nível médio e superior. Além disso, pretende oferecer cursos de extensão em temas teológicos específicos de caráter apologético e transdisciplinar. Os referidos cursos de extensão proporcionarão suporte aos Seminários e Faculdades Teológicas existentes, oferecendo a oportunidade de complementação e especialização dos estudos.

O IPC também oferecerá Cursos de Pós-Graduação em convênio com Instituições de Ensino Superior já credenciadas pelo MEC.

O corpo docente do IPC é formado por professores graduados e pós-graduados (especialização, mestrado, doutorado) em Universidades credenciadas pelo MEC e pela CAPES. Alguns de nossos professores também são professores de Universidades Federais e Estaduais, tendo ampla experiência em cargos de coordenação, em composição de currículos universitários e em assessoria de autorização e reconhecimento de cursos de graduação junto ao MEC.

Os professores do IPC têm também ampla produção cultural através da publicação de livros e de artigos em revistas e jornais especializados. O Jornal TOCHA DA VERDADE é um periódico teológico vinculado ao IPC. As obras da Editora Moriá também dão especial atenção aos temas de aprofundamento do IPC.

POR QUE É PIETISTA?

No século XVII, após a morte de Martinho Lutero, as igrejas protestantes na Alemanha se entregaram a disputas teológicas, negligenciando o aspecto experimental e prático da fé. Nesse instante, Filipe Jacob Spener apareceu em cena através de seu livro “Desejos de Piedade” (1675). Ele protestava contra a crença popular de que a pessoa podia se considerar cristã pelo simples batismo infantil. Contra isso, ele interpunha a exigência do novo nascimento como uma experiência pessoal. Spener não se opôs a teologia, mas insistiu na importância dos estudos bíblicos acontecerem em um contexto de fervor espiritual. Ele enfatizou a fé viva contra a ortodoxia morta.

Spener introduziu um sistema de grupos de estudos bíblico nos lares e ressaltou o sacerdócio universal dos crentes. Os seus “colégios de piedade” inspiraram as “sociedades metodistas” na Inglaterra. O pietismo alemão correspondeu ao evangelicalismo anglo-saxão.

O convertido mais importante de Spener foi A. H. Francke (1663-1727), outro grande líder do movimento pietista antigo. Francke fundou uma nova universidade dentro da orientação pietista.

A influência do pietismo foi poderosa. O afilhado de Spener, Conde Zinzendorf, importante líder dos irmãos morávios, trouxe grande impulso ao movimento missionário evangélico. Através dos irmãos Morávios, John Wesley se converteu na Inglaterra, e, pelo seu ministério, a Inglaterra conheceu o maior avivamento espiritual de sua história.

O IPC é pietista porque ressalta uma fé viva, um cristianismo experimental, o fervor evangélico e missionário. Como M. Lloyd-Jones, compreendemos a pregação e o ensino como “razão eloqüente” e “lógica em chamas”!

POR QUE “DE CULTURA”?

Por que visa a uma formação interdisciplinar que capacite os alunos a argumentarem a favor da fé cristã em um ambiente acadêmico secular. A nossa preocupação é com o equilíbrio entre “identidade e relevância”. Pretendemos argumentar nos “jogos de linguagem” dos acadêmicos, mas sem fazer concessões no conteúdo bíblico de nossa fé.

Oferecemos formação teológica capaz de não ser abalada pelas modernas críticas do pensamento secularizado.

A Igreja Emergente Está Chegando


Este é o registro de um testemunho ocular da Conferência Nacional de Pastores, realizada em fevereiro de 2009, em San Diego , Califórnia, e uma admoestação sobre a igreja emergente e sua crescente influência.
                A Conferência foi patrocinada pela Zondervan e InterVarsity Press, duas das mais influentes publicadoras. Seus autores representam o principal ramo do [neo-] evangelicalismo de hoje, bem como sua cortante influência, desde Bill Hybels e Rick Warren até Rod Bell e Brian McLaren.
                A revista Christianity Today foi proeminentemente representada na Conferência por Andy Crouch, um editor sênior, o qual foi um dos principais preletores e entrevistadores. Ele também conduziu a seção de louvor e adoração. Entre outros preletores, estavam Bill Hybels, Brian McLaren, Rod Bell, Leighton Ford, Gordon Fee, Shane Claiborne, J. P. Moreland, John Ortberg, David Kinnaman, Scot McKnight, Alex McManus e Christopher Wright.
Havia cerca de 1.500 pastores e obreiros cristãos na recepção.
Igreja emergente é um novo enfoque para missões e vida na igreja, tendo o nome sido cunhado pelos “[neo-] evangélicos”, para os dias atuais.
Na realidade, a igreja emergente é simplesmente a última heresia dentro da ampla tenda do “neo-evangelicalismo”. Quando o [neo-] evangelicalismo se impôs no cenário, nos anos 1940, com o seu ousado repúdio ao “separatismo” e sua ênfase sobre o diálogo com os hereges, a porta foi aberta para todo tipo de heresia se infiltrar no rebanho “evangélico”, e isto foi exatamente o que aconteceu. Não é em vão que a Bíblia adverte na 1 Coríntios 15:33: Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”.
O ensino da igreja emergente tende a ser complicado, intricado, contraditório e confuso. Tentar defini-lo completamente é como tentar pregar uma lâmina de mármore vitrificado a uma mesa, com um furador de gelo. Ele [o ensino da igreja emergente] é móvel e, quando forçado a ficar parado e ser consistente, ele se racha!
Além disso, ele [o ensino da igreja emergente] está sempre mudando e existe um lado conservador dentro do grande campo da igreja emergente, o qual complica as coisas.
Mesmo assim, devemos tratar da igreja emergente por causa da sua crescente influência.

A IGREJA EMERGENTE ESTÁ SE EXPANDINDO

                Brian McLaren conta que a igreja comunitária de Willow Creek jamais havia feito um sermão sobre ambientalismo, pobreza, guerra e paz, até no ano passado; mas, agora, ela entrou no vagão de mude-o mundo e construa–o do reino. A Willow Creek não é apenas uma mega igreja em Chicago, mas uma associação de 12.000 igrejas.
Os emergentes Brian McLaren, Scot McKnight e Shane Claiborne falaram na Conferência da Mudança, da Willow Creek, em abril de 2008.
McLaren descreveu a imersão abrupta de Rick Warren nas águas da igreja emergente com o seu plano P.E.A.C.E. Quando este foi deslanchado em abril 2005, Warren disse que ele “mudaria o mundo”. Ele deseja alistar um bilhão de soldados em marcha, a fim de derrotar os cinco gigantes globais: frigidez espiritual, liderança auto-serviente, pobreza, doença e ignorância (ou analfabetismo). Tendo em vista este objetivo, ele está fazendo um apelo em prol de uma aliança amplamente ecumênica e inter-fé dos evangélicos, modernistas, católicos romanos, judeus, hindus, budistas, muçulmanos, homossexuais, pro-abortistas, etc.
Warren promoveu McLaren em seu site “Ministry Toolbox”. Ele também recomendou o mui radicalmente liberal Leonard Sweet. A recomendação de Warren aparece na capa do livro de Sweet, “Soul Tsunami”, na qual ele diz: “Chegou o tempo de uma reforma pós-moderna... Reinvente a si mesmo para o século 21, ou morra”. (p. 75). Warren e Sweet colaboram em um conjunto de áudio intitulado “Times of Change” e Sweet falou na igreja de Saddleback, em janeiro de 2008, numa conferência para um pequeno grupo de treinamento.
Rick Warren é um proeminente pastor da Convenção Batista do Sul, uma denominação permeada pela filosofia da igreja emergente.

A IGREJA EMERGENTE VISANDO OS FILHOS DOS FUNDAMENTALISTAS

Assisti à Conferência em San Diego , por estar preocupado com a próxima geração. Os evangélicos emergentes estão de olho em nossos filhos e netos. Brian McLaren aconselhou os emergentes a serem pacientes, ao contrário de tentarem mudar as igreja da noite para o dia. Em seu livro de 2008, “Finding Our Way Again: The Return to Ancient Practices”, Mc Laren descreveu o seu plano de se infiltrar nas igrejas e instituições cristãs, que agora [ainda] estão rejeitando a igreja emergente. Ele disse: “Mas, com o tempo, o que elas rejeitam vai encontrar ou abrir espaço, além de suas fronteiras, e vai se tornar um recurso, de modo que muitos, senão a maioria dos netos dos fundamentalistas de hoje vai aprender, crescer e se afastar das batalhas mal dirigidas dos seus antepassados”  (cristãos bíblicos) (p. 133).

McLaren continua dizendo que a doutrina emergente vai se infiltrar nas igrejas batistas bíblicas a partir de dentro, através de recursos, como livros, vídeos e websites.

Esta é exatamente a maneira como o [neo-] evangelicalismo tem-se infiltrado profundamente nas igrejas fundamentalistas bíblicas e nas igrejas batistas independentes, durante as duas últimas décadas e, sem dúvida, será como as doutrinas mais radicais da igreja emergente irão infiltrá-las, nas próximas décadas.

A Conferência representa o fruto do movimento neo-evangélico fundado por Billy Graham, Harold Ockenga e a geração pós II Guerra Mundial de líderes evangélicos, que rejeitaram o fundamentalismo bíblico. Eles fundaram o Seminário Fuller e a [revista] Christianity Today, ambos representados na Conferência. Há 50 anos, esses homens disseram: “Nós renunciamos ao separatismo”  e é nesse ponto que se encontram hoje os seus filhos. Esta é uma sonora advertência aos cristãos bíblicos que estão sendo tentados a seguir na direção contemporânea.

AGENTES DE MUDANÇA

A igreja emergente tem como objetivo transformar as igrejas bíblicas tradicionais no novo modelo e, para consegui-lo, ela está empregando muitas táticas.

Uma das táticas é criar dúvidas, realizando um processo de repensar, embora este não conduza a pessoa de volta à Bíblia, para conseguir respostas.  Não é errado repensar as coisas, particularmente a metodologia, mas o nosso pensamento deve estar cuidadosamente ligado à Escritura, a fim de não cairmos num profundo problema espiritual.

Outra tática é levar as igrejas a se enxergarem através dos olhos do mundo, encorajando-as a se adaptarem aos seus pontos de vista. Por exemplo, visto como o mundo não aprova o “julgamento” crítico, as igrejas devem parar de julgar, sendo tolerantes e suaves, evitando a “pregação negativa”; e visto como o mundo não condena o estilo de vida gay, então as igrejas devem adotar uma nova proposta nos assuntos sexuais.

 O povo de Deus deve compreender as pessoas que estamos tentando alcançar e deve ter cuidado, a um certo nível,  sobre o que elas pensam a nosso respeito, embora permaneça o fato de que o mundo sempre tem considerado os crentes negativamente. Isto foi verdade no primeiro século e continua sendo verdade ainda hoje. Jesus avisou que o mundo nos odiaria porque ele odeia Cristo (João 15:18-20; 17:14). A única maneira de mudar a maneira negativa pela qual o mundo vê os crentes bíblicos é recuar e fazer concessões quanto a fé.  A solução da igreja emergente de tornar o Cristianismo “legalzinho” simplesmente não é uma opção aceitável para os crentes bíblicos.

Outra tática usada pela igreja emergente,  fim de trazer a mudança, é promover posições doutrinárias contraditórias. Trata-se da proposta dialética. A Zondervan e a InterVarsity Press chegam ao cúmulo, nisto.  Elas publicam obras de homens que afirmam crer que a Bíblia é infalível, têm um testemunho pessoal de salvação e, supostamente, acreditam no inferno (exemplo, Bill Hybels, Rick Warren), junto com homens que não crêem na morte expiatória e vicária de Cristo [levando todo nosso pecado sobre Si, morrendo em nossa substituição, pelo Seu sangue fazendo expiação por nosso pecado], estando convictos de que “um evangelho que exclui pessoas e insiste no inferno [literal e merecido por todos nós] não produz resultado”. (Brian McLaren, “A Generous Orthodoxy, p. 120, f . 48).

Estas posições contraditórias, no final, levam os leitores a concluir que a doutrina [aquilo que a Bíblia ensina em letras] não pode ser dogmaticamente conhecida e nem é importante. Isto destrói a estabilidade doutrinária.

MUNDANISMO CRISTIANIZADO [isto é, Mundanismo Disfarçado e Fingindo Ser Cristianismo]

O mundanismo que permeia as igrejas emergentes é de tirar o fôlego. As sessões gerais da Conferência Nacional de Pastores começaram com meia hora de apresentação de piadas e algumas bem fortes [picantes e irreverentes, sujas mesmo]. A estas se seguiram concertos de rock,  completados com apresentadores de peso, luzes coloridas, fumaça e retro-projetores. Tudo isso aconteceu num hall enfumaçado. Alguns dos apresentadores, tais como Will Willimon, líder da Igreja Metodista, usaram piadas [tão sujas] que não poderiam ser publicadas. As mulheres estavam indecentemente vestidas.

Até mesmo os ramos mais conservadores da igreja emergente firmaram chocantes alianças de trasnigências com o mundo. Eles dizem que se relacionam com o mundo, sem se conformarem ao mesmo; mas a verdade é que já estão conformados com ele.

Mark Driscoll, pastor da Mars Hill Church, em Seattle, afirma ser TEOLOGICAMENTE CONSERVADOR E CULTURALMENTE LIBERAL (Pastor Provocateur, Christianity Today, 21/09/2007). Ele critica o fundamentalismo “endurecido de coração”, o qual “atira pedras na cultura” (Ibid) e define a si mesmo como “relevante”, “contextual” e “legalzinho”. (Conference Examines the Emerging Church, Baptist Press, 25/09/2007).

Driscoll diz que “os cristãos restritivos chegam ao extremo de nomear tudo como pecado universal, proibindo algumas atividades culturais que a Bíblia não proíbe, tais como ouvir certos estilos musicais, fazer tatuagens, ir ao cinema, fumar cigarros, consumir álcool e colocar piercing”. (The Radical Reformission, p. 103).

Driscol diz que aprendeu a pregar “baseado nos comediantes”. Ele disse que ver o indecente comediante Cris Rock atuando foi “um estudo melhor de homilética do que muitas aulas sobre o assunto”. (Confessions of a Reformission Rev., p. 70).

A igreja de Mark Driscol mantém um “bar com champanhe” nas festas de véspera de Ano Novo, em Nova York. A festa de dezembro 2007 foi chamada “Red Hot Bash2” e apresentou uma das bandas de dança mais notáveis do Noroeste. Os participantes foram “convidados a se movimentar na enorme pista de dança” e foram lembrados a trazer os seus documentos de identidade [Nota da Tradutora: é ilegal menores de idade beberem álcool, os documentos de identificação devem ter sido usados para não se servir bebida alcoólica diretamente a eles]

Mars Hills oferece aulas de fabricação de cerveja e opera o Phoenix Theater, o qual tem hospedado centenas de concertos seculares de rock. Em um dos concertos, uma banda japonesa se apresentou despida.

Mars Hill apresenta filmes censurados. De fato, Driscol afirma que alguns dos seus sermões sobre sexo são censurados e que os grupos de visitantes jovens ficam embaraçados e dão o fora, na metade da mensagem. (Confessions of a Reformission Rev., p. 134).

Este é o lado muito conservador da igreja emergente!

UMA SALADA ECUMÊNICA

A variedade doutrinária representada na Conferência foi admirável. Havia presbiterianos, metodistas, luteranos, episcopais, pentecostais, menonitas, Igreja Unida de Cristo, católicos romanos e outros.

Entre os preletores havia um padre católico (Emmanuel Katongole), o qual ensina na Duke Divinity School, afiliada aos Metodistsa; um judeu agnóstico (A. J. Jacobs, autor do livro “A Year of Living Biblically”), Paul Young, autor de “A Cabana”, o homem que descreve Deus como sendo uma mulher; Brian McLaren, um homem que nega a infalibilidade da Escritura, a natureza expiatória e vicária [em nosso lugar, como nosso substituto] do sacrifício de Cristo, o criacionismo e uma queda literal (Gênesis 1).

Todos estes homens foram calorosamente aceitos por outros preletores e pelos 1.500 pastores e obreiros cristãos ali presentes. Nenhum dos que mencionamos na Conferência quis falar uma palavra contra pessoa alguma.

ÓDIO AO FUNDAMENTALISMO BÍBLICO

O único inimigo que foi claramente identificado e atacado ali foi o fundamentalismo bíblico. A Conferência deu honra e fez festas e agrados a uma ampla variedade de hereges, mas todo crente que leva a Bíblia a sério e que batalha diligentemente pela fé foi levado ao ridículo.  Até mesmo os comediantes os visaram. Michael Junior os chamou “os demasiadamente salvos”. Ele contou uma piada indecente sobre um cachorro se lambendo e disse: “Quem não achar graça é porque é salvo em demasia!”.

Brian McLaren ridicularizou os que acreditam na criação em seis dias. Rod Bell descreveu os que desejam manter a “pureza doutrinária e a correção teológica” como quem torna difícil a vida dos pastores emergentes. Bell citou Tito 3:10 da NVI, dizendo que as pessoas divisoras deveriam ser rejeitadas e aconselhou que do mesmo modo deveriam os pastores tratar os puritanos doutrinários.

Esta perversão da Escritura coloca a verdade de pernas para o ar. Ora, Paulo não estava admoestando contra as pessoas divisoras em geral. A própria verdade pode ser divisora; Jesus e os apóstolos causaram grandes divisões. Em vez disso, Paulo estava admoestando os que eram divisores através do falso ensino e se recusavam submeter-se à verdade. [N.T. -  Neste caso, os divisores são exatamente os emergentes].

UM ÍMÃ ATRAINDO OS REBELDES

A igreja emergente é um ímã para os que rejeitam a fé “obsoleta” do Novo Testamento e desprezam as igrejas bíblicas, a pregação bíblica dogmática e o “julgamento” bíblico, em relação às escolhas do estilo de vida.

Numa entrevista registrada em vídeo, Zach Lind, apresentador da banda de rock secular - Jimmy East World - contou que cresceu numa igreja batista conservadora e fez sua profissão de fé, quando era jovem; porém, só o fez para não ficar fora do culto comunitário. Ele amava secretamente o rock & roll e não gostava de escutar pregações contra esse tipo de coisa, por isso abandonou a igreja e não mais voltou ao Cristianismo, até que descobriu a igreja emergente. Agora, diz ele, tem liberdade de ser cristão e, ao mesmo tempo, ser apresentador de uma banda secular de rock. Vejamos um excerto de sua entrevista:


 O sistema de crença que eles [os líderes da igreja] enfatizavam não ressoava necessariamente em mim. Por exemplo, quando eu era jovem, eles apresentaram um vídeo para o grupo jovem chamado ‘Hell’s Bells: The Danger of Rock & Roll’ e como eu era um fã secreto do rock, escutava todos os tipos diferentes de bandas, que a igreja, obviamente, não aprovaria... Finalmente, no curso secundário, eu comecei uma banda com alguns amigos; isto foi há uns 15 ou 16 anos, e continuamos como uma banda, ainda hoje. Somos uma banda de rock secular. Tenho vivido no mundo e assistido a uma porção de bons cultos religiosos; mas os que eu provei como criança pareciam vazios, depois que entrei no mundo real. Enquanto eu estava tentando reconciliar aqueles tipos de coisas, vivia em queda livre. A moldura do Cristianismo não era viável para mim. Foi bom entrar em contato com alguns escritores como Brian Mclaren, Rod Bell e Dallas Willard, os quais me deram um modelo e uma perspectiva diferente para eu construir uma vida da fé, que, finalmente, ressoou em mim. Por causa da minha experiência com a banda e com alguma notoriedade que tenho obtido com ela, posso fazer amizades com algumas pessoas que eu realmente respeito e que, certamente, tem me edificado. Tem sido uma doação de vida... o evangelho no qual eu agora creio é totalmente diferente daquele em que eu crescei. O evangelho no qual eu cresci era um evangelho transacional, uma ideia de que se eu tivesse a verdadeira crença, aqui, seria salvo de algum castigo futuro... Dallas Willard me lembrou que o reino de Deus não é um destino futuro; que o reino de Deus é agora.

Este tema percorre toda a igreja emergente.

No “Blue Like Jazz”, Donald Miller conta como recusou ficar restrito ao ensino das igrejas do tipo tradicional. Ele queria beber cerveja, ver filmes eróticos e ter comunhão com os ateus e rebeldes. No “A Renegade’s Guide To God”, David Foster zomba dos “ingênuos bíblicos” e apela a um renegado tipo de Cristianismo, que “resiste contra receber um rótulo, que se revolte ao ser envergonhado e se rebele contra ser domado” (p. 8). Ele diz: “Não queremos que nos digam o que fazer ou nos dêem ordens sobre como nos comportarmos” (p. 10).  No “If Grace Is So Amzing”, Why We Don’t Like It?”, Donald McCullough declara que não gosta do tipo de pregação que diz: “Não faça isto, não faça aquilo, controle seus apetites, desejos, discipline-se e se sacrifique” (p. 104).

Estas pessoas se rebelam contra o claro ensino da Bíblia e, como um ímã atraindo para a rebelião, a igreja emergente exerce uma ampla atração nestes últimos dias, conforme foi profetizado na 1 Timóteo 4:1-2 e 2 Timóteo 4:3-4.

Esta profecia descreve uma grande apostasia da verdade bíblica entre os cristãos professos. Ela diz que eles rejeitarão o ensino da Escritura e apelarão a um novo tipo de Cristianismo, o qual permita viverem conforme suas paixões. Este é um tipo estranho de Cristianismo, cujo cumprimento estamos vendo, diante dos nossos próprios olhos. A profecia diz que haverá uma porção de pastores, os quais oferecerão este tipo de Cristianismo, o que estamos vendo, exatamente, agora.

As livrarias cristãs estão repletas de livros e a Internet está cheia de artigos e blogs, cuja maior parte não contém a Palavra de Deus, a qual reprova, redargue e exorta (2 Timóteo 4:2). Em vez disso, ela [a Internet] está repleta de doutrinas que dão comichão nos ouvidos dos que rejeitaram a Bíblia. Ela está atulhada de novidades pop, de psicologia, de auto-estima, de exaltação do ego, de conformação ao mundo, de heresias, de questionamentos, de vãglória, de dúvidas, de ilícita adesão ao erro (exemplo, o Movimento da Espiritualidade Contemplativa); de ataques ao falsamente chamado “legalismo”; de contos da carochinha, de romances de ficção, de história reconstruída, de fascinação pelos hereges antigos, erroneamente chamados de “pais da igreja”, e de muitas outras coisas perniciosas.

O neo-evangelicalismo dos anos 1950 foi uma rebelião contra o Cristianismo estritamente bíblico e a igreja emergente é exatamente um passo à frente, nesta temível direção.

A rebelião é um produto natural da nossa natureza decaída. O homem velho, conforme é chamado na Escritura, herdeiro da queda de Adão, está em inimizade contra Deus e Sua palavra. O verdadeiro Cristianismo exige um novo nascimento. Não existe uma segunda geração de crentes, no exato sentido bíblico. Tem sido dito, corretamente, que “Deus não tem netos”. Desse modo, cada pessoa que nasce num lar cristão deve aderir por si mesma ao evangelho e, visto como o diabo e a natureza decaída que nela habita são reais, existe uma forte batalha espiritual a ser travada e vencida.

Enfrentei esta batalha em minha juventude. Cresci numa igreja batista e cheguei a receber Cristo e me juntar à igreja; porém, mais desejava seguir o meu próprio caminho do que seguir Cristo. Então, rejeitei a Bíblia, abandonei a igreja e entrei de sola no mundo, antes ser convertido, aos 23 anos de idade.

Por causa da contínua batalha que ruge em cada nova geração, a rebelião que faz parte do pacote da filosofia da igreja emergente é muito apelativa para uma ampla variedade de pessoas.

“A CABANA”: O NOVO DEUS DA IGREJA EMERGENTE

Um dos preletores daConvenção Nacional de Pastores foi William Young, autor do livro “A Cabana”. Ele manteve o primeiro lugar na lista de bestsellers do New York Times, durante nove meses, em janeiro de 2009, e de lá para cá já havia vendido  cinco milhões de cópias. O livro está sendo traduzido em 30 línguas e um filme sobre o mesmo está em andamento.

Young teve sua própria sessão e foi entrevistado em uma das sessões gerais por Andy Crouch. Disseram que 57% dos frequentadores haviam lido “A Cabana”, e Young foi recebido entusiasticamente.  Crouch o tratou como um confrade crente, sem ter dado o menor sinal da existência de qualquer problema quanto à maneira pela qual Deus é apresentado no livro de Young. Quando Young disse: “Não me sinto responsável pelo fato de que ele (A Cabana) esteja interferindo nos paradigmas das pessoas”. Ou como as pessoas pensem a respeito de Deus, ao que as pessoas responderam com palmas, bom humor e risos. Esta disposição demonstra a tendência de renegar a tradicional doutrina bíblica, sem que haja temor algum em fazê-lo.

No livro “A Cabana”, Young apresenta o Cristianismo bíblico tradicional como hipócrita e perigoso. O personagem principal do livro cresce sob “rigorosas regras” enquanto o seu pai, um ancião na igreja, era um “beberrão oculto” e tratava cruelmente a família, quando estava embriagado. (p. 7)

A hipocrisia é muito prejudicial à causa de Cristo, porém ela não desmerece a Bíblia. “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso” (Romanos 3:4). Frequentemente, este tipo de coisa tem sido usado para desculpar a rebelião. Sei disto por experiência pessoal. Em minha juventude eu costumava usar as circunstâncias que via nas igrejas batistas para desculpar minha rejeição à igreja. Contudo, o maior problema não era a tipo de hipocrisia alheia, mas a minha própria rebelião e o amor pelo mundo. Quando me arrependi da minha maldade, aos 23 aos de idade, e me voltei para Cristo, tendo aceitado a Bíblia Sagrada como a legítima Palavra de Deus, deixei de censurar os outros e assumi minha própria responsabilidade diante do Deus Todo-Poderoso.

Regras e direções sob a graça de Deus não são erradas. Elas fazem parte do Cristianismo bíblico. Somos salvos pela graça, sem as obras, mas somos salvos para realizar boas obras. (Efésios 2:8-10). As epístolas do Novo Testamento estão cheias de regras e obrigações que se espera que os crentes obedeçam, e estão repletas de admoestações sobre a desobediência. A verdadeira graça de Deus não nos permite viver conforme desejamos. Em vez disso, “... ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente...” (Tito 2:11-12). Este é o exato modelo da vida cristã.

 Existe hipocrisia na igreja e nos falsos profetas, os quais se embasam na lei, em vez de se embasarem na graça e, de fato, a maioria das igrejas está corrompida, conforme a Bíblia profetizou; mas a solução não é rejeitar a interpretação literal da Escritura e criar um novo deus. Deus é admiravelmente compassivo e amoroso, tendo comprovado isto na cruz, mas Ele também é justo, exigindo obediência; Ele odeia e castiga o pecado, e este lado de Deus não pode ser ignorado sem que se creia num falso deus.

A carne se opõe grandemente à santidade de Deus. Posso testificar sobre isto. De tempos em tempos tenho ficado desanimado com Deus em minha vida cristã. Não é tão simples reconciliar o amor e a graça de Deus com a Sua tremenda santidade e justiça. Por um lado, o Novo Testamento nos diz que o crente é perdoado, redimido, justificado, aceito, amado e abençoado com todas as bênçãos espirituais em Cristo (Efésios 1:3). Mas, por outro lado, o Novo Testamento ensina que o crente deve ser excessivamente cuidadoso em como viver diante de Deus. Devemos nos purificar  “de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”. (2 Coríntios 7:1), sendo este o concebível modelo elevado.  O crente que não se empenha nisto está correndo o perigo de ser julgado. (1 Coríntios 3::13-17; 9:26-27; 11:27-32; Hebreus 13:4; 2 João 8-11; Apocalipse 2:4-5, 16, 22-23; 3:15-16).

Existe até mesmo um “pecado para a morte” (1 João 5:16-17; Atos 5:1-11; 1 Coríntios 11:30). Então, deve haver muitas admoestações legítimas na vida cristã (Atos 20:31; Colossenses 1:28; 2 Timóteo 4:2; Tito 1:13 e 2:15).

Estas coisas parecem contraditórias à carne decaída do homem natural; mas, elas fazem parte do mesmo compassivo e três vezes Santo Deus e quando se rejeita pelo menos uma [dessas coisas], isto é como rejeitar o Deus verdadeiro, trocando-O por um ídolo.

REDEFININDO DEUS -  A verdade é que a “A Cabana” pretende redefinir Deus. Young afirma que o livro é para os que “anseiam que Deus seja tão bondoso e amoroso como desejaríamos que Ele fosse” . (Entrevista com Sherman Hu, em 04/12/2007).

Ele está se referindo ao desejo do homem natural de um Deus que o ame “incondicionalmente” e não exija obediência, não exija arrependimento, não condene o pecado e nem faça o homem se sentir culpado pelo que faz.

Na mesma entrevista,  Young contou que uma mulher lhe escreveu, dizendo que sua filha de 22 anos aproximou-se dela, após ter lido o livro e lhe perguntou: “Não seria bom eu me divorciar do velho Deus e casar com o novo?”

Desse modo, Young admite que o deus de “A Cabana” é diferente do Deus do Cristianismo bíblico tradicional. Ele afirma que “um Deus que observa à distância e condena o pecado” é “uma visão cristianizada de Zeus”. Isto me faz lembrar o modernista G.

Bromley Oxnam, que chama o Deus do Novo Testamento de “um imundo raivoso e briguento”, em seu livro de 1944, “Preaching a Revolutionary Age”.

“A Cabana” explora o assunto de como Deus permite a dor e o mal. Ele trata da narrativa fictícia de um homem amargurado contra Deus, por ter permitido que sua filha mais nova fosse assassinada; ele volta à cena do crime, uma velha cabana no meio da floresta, para ter ali um encontro com Deus de mudança de vida. Contudo, o deus que ele encontra não é Deus da Bíblia. Young descreve o Deus trino como uma jovem mulher asiática chamada “Saruya” (*) (supostamente o Espírito Santo); um carpinteiro oriental que ama a boa vida (supostamente Jesus); e uma mulher negra chamada “Elousia” (supostamente Deus Pai), o qual também é descrito como um cara que tem cauda de poney e de bode. (* O nome “Saruya” provém das escrituras hindus, representando um rio mítico da Índia, em cujas praias o deus Rama nasceu).

O deus de Young é o deus da igreja emergente. Ele é “legalzinho”, ama o rock & roll, não julga, não se ira contra o pecado, não envia os incrédulos para o inferno de fogo, não aprecia as igrejas bíblicas tradicionais, não aceita a Bíblia como a infalível Palavra de Deus, não se incomoda que os primeiros capítulos da Bíblia sejam considerados como “mitos”.

Observem as seguintes citações do deus de “A Cabana”:

“Não vá porque sente que é sua obrigação. Isto não vai lhe render nenhum pontuação ao redor daqui.” p. 89). Contraste com a 1 Coríntios 4:2: “Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel”.

”Eu não preciso punir as pessoas por causa do pecado delas. O pecado já é sua própria punição, devorando você de dentro para fora.” (p. 120).

Contraste com Isaías 13:11: “E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos”.

 Efésios 5:5-6: “Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência”.

“Existe uma porção de gente que acha que o Éden foi apenas um mito. Ora, seu erro não é fatal. Rumores de glória estão em geral ocultos no que muitos consideram mitos e contos da carochinha”. (p. 134).

Contraste com a 2 Pedro 1:16: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade”.

“[Seu] coração é selvagem, belo e perfeitamente em processo”. (p. 133).

Contraste com Jeremias 17:9 e Marcos 7:21-23.

“Forçar minha vontade sobre você é exatamente o que o amor não faz... O verdadeiro amor nunca obriga”. (pp. 145,190)

Contraste com João 8:31-32; 14:15; Tito 2:11-12; Hebreus 12:5-11; Apocalipse 2:14-16; 20:23; 13:3, 16-19).

 “Nosso destino final não é a descrição do céu que você tem na cabeça - você sabe, a imagem de portões de pérolas e ruas de ouro” (p. 177).

Contraste com Apocalipse 21:22.

“Minha igreja gira totalmente em torno de pessoas, e a vida é totalmente em torno de relacionamentos [entre pessoas]... você não pode edificar [as pessoas] dela [da igreja] ... Eu não crio [edifico] instituições: nunca o fiz, nunca o farei” (pp. 178-179).

 Contraste com Atos 2:41-42, 13-14.

 “Os que em amam me chegam de cada sistema que existe. São budistas ou mórmons; batistas ou muçulmanos; democratas ou republicanos e muitos que não votam e nem participam dos cultos dominicais ou de instituições religiosas... Não tenho desejo algum de torná-los cristãos” (p. 182).

Contraste com Atos 4:12; 26:28.

“Através de sua morte e ressurreição, estou agora plenamente reconciliado com o mundo... o mundo inteiro... Em Jesus, perdoei todos os homens dos seus pecados contra mim... quando Jesus perdoou os que O pregaram na cruz, eles não ficaram mais em débito em relação a Ele, nem em relação a mim”. (p. 192, 225).

Contraste com João 3:36; Atos 17:30-31; 1 João 5:12,19; Apocalipse 20:11-15.      

“A Bíblia não ensina a seguir regras... a forçar regras, especialmente em suas expressões mais sutis, como responsabilidade e expectativa; é vã uma tentativa de criar certeza a partir de uma incerteza... Por isso não se encontra a palavra ‘responsabilidade’ nas Escrituras... Porque eu não tenho expectativas, você jamais me decepcionará”. (pp. 197, 203, 206).

Contraste com a 1 Coríntios 4:2; 2 Coríntios 5:18. Somente em Efésios capítulos 4 a 6 existem mais de 80 obrigações especificas, que os crentes são exortados a cumprir.

“Não exerço humilhação, ou culpa ou condenação”  (p. 223).

Contraste com Isaías 2:11; 5:15; João 3:19; Romanos 3:19; 1 Coríntios 11:27; Tiago 3:1; 5:9; Judas 4; Apocalipse 11:18; 20:11-15).

O DEUS DA CABANA É EMERGENTE E DA NOVA ERA

O deus da “a cabana” não é apenas suspeitosamente semelhante ao deus descrito no ramo mais liberal da igreja emergente (exemplo: Rod Bell, Donald Miller, Brian McLaren), mas é um forte aparentado do deus da Nova Era promovido por Oprah Winfrey. O evangelho dela é que o homem não é um pecador, não é um juiz; que tudo vai bem com o universo e as pessoas precisam apenas se render ao “fluxo”. Sua mensagem é a celebração do ego. Ela cresceu numa igreja batista tradicional, mas tem reinterpretado a Bíblia e moveu-se para longe de suas restrições. Ela diz: “Quando estudei o Movimento Nova Era, ele parece dizer exatamente o que a Bíblia tem dito durante anos; porém, muitos de nós fomos criados com uma compreensão restrita e limitada sobre o que a Bíblia diz” (O Evangelho Segundo Oprah Winfrey, Vantage Point, julho, 1998).

“A Cabana” é outra pedra na construção da Torre de Babel dos tempos finais.

NEGANDO A IMINÊNCIA DA VOLTA DE CRISTO

Outro erro fundamental da igreja emergente é a rejeição à iminência da volta de Cristo.

Por isso, a igreja emergente tem objetivos a longo prazo, ou seja, salvar a Terra, resolver o problema da AIDS na África, acabar com a pobreza no mundo e inaugurar outro “reino de obras”, a fim de renovar a sociedade.

Na Conferência Nacional de Pastores, Brian McLaren disse  que a Teologia Dispensacional  é perigosa, porque leva os cristãos a não se preocuparem com a Terra. “Na teologia, a escatologia sempre vence. Esta é uma das nossas crises teológicas. Por que existe pouca preocupação com o meio ambiente? Porque o povo está sendo ensinado que o mundo logo vai acabar”.

McLaren zomba das “expectativas fundamentalistas”, e de uma literal segunda vinda de Cristo, com os Seus respectivos julgamentos sobre o mundo, e assume como certeza que o mundo vai continuar como está, por centenas de anos. (A Generous Orthodoxy, p. 305). Ele chama a volta de Cristo, literalmente, de “Escatologia Pop Evangélica” e de “Escatologia do Abandono”. (Entrevista com o Planet Preterit, em 30/01/2005 –http://planetpreterit.om/news- 2774.html.

A rejeição ao Arrebatamento Pré-Tribulacional é uma característica da igreja emergente,em todos os seus aspectos, inclusive no lado mais conservador. Mark Driscoll a ele se refere como a “dispensacionalismo pessimista”. (Listening to the Beliefs of Emerging Churches, p. 146).

Ele tem afirmado que os cristãos de mente escatológica  não são bem-vindos à sua igreja (“Mark Driscol Rejects McLaren, But Embraces Contemplative” - 11/01/08). Ele disse que crentes com mentalidade escatológica não são bem vindos em sua igreja (“Mark Driscoll Rejects McLaren but Embraces Contemplative,” Jan. 11, 2008, http://www.lighthousetrailsresearch.com/blog/index.php?p=931&more=1&c=1)).

No livro “Confessions of a Reformissional”, Driscol zomba da ideia do Arrebatamento e do governo mundial de um Anticristo, o qual vai exigir que as pessoas usem uma marca para comprar, vender e negociar. (pp. 49-50). Ele diz que esta mensagem não foi de Jesus, mas, em vez disso, de um conluio com uma falsa serpente.

No “Radical Reformission”, Driscoll afirma que a doutrina do Arrebatamento evidencia quão doentes estão os cristãos americanos e zomba dos que alimentam este objetivo de abandonar “este planeta estacionamento de [frágeis] traillers, antes que o tornado divino atinja todos os pecadores”.  (p. 78).

Ele chama os cristãos dispensacionalistas de “crentes loucos varridos, e de kazinskis da profecia dos tempos finais.” (p. 165) (Red Kazinski foi o terrorista “Unabomber”, que assassinou três pessoas e mutilou outras 23, em seus 18 anos de campanha contra a tecnologia moderna).

A doutrina de um futuro julgamento e da volta de Cristo não é a fabricação da imaginação de alguns novelistas emergentes!

O Senhor Jesus Cristo ensinou que grandes julgamentos virão sobre o mundo (Mateus 24; Marcos 13; Lucas 21) e que os crentes devem estar preparados para a Sua volta, [prestes a ocorrer] a qualquer momento. Ele comparou Sua volta aos dias que precederam o dilúvio, quando as pessoas zombavam de Noé, ignorando suas admoestações, até o exato dia em que ele entrou na arca e o julgamento veio, para destruir o mundo. (Mateus 24:36-39).

Cristo admoestou: “... estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”.(Mateus 24:44).

O apóstolo Paulo ensinou o mesmo: “Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o SENHOR” (Filipenses 4:5). Tiago também disse: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta”.  (Tiago 5:8-9). Pedro ensinou: “E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração”. (1 Pedro 4:7).

 Os cristãos primitivos viviam em constante expectativa da volta do Senhor: “Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”. (1 Tessalonicenses 1: 9-10).

A doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulacional é muito importante. Na verdade, importa muito como se interpreta a profecia bíblica.

Primeiro, ela [doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulacional] é um grande estímulo à perfeição na vida cristã.

Segundo, ela encoraja os crentes nas tribulações e perseguições: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”. (1 Tessalonicenses 4:13-18).

Terceiro, ela mantém o foco da igreja na grande comissão. A iminência da vinda do Senhor ensina que ganhar almas para Cristo é o assunto mais urgente [de todos]. Fomos providos com o perdão dos pecados, no evangelho; somos embaixadores de Cristo e nos foi dada a responsabilidade de exortar os incrédulos a se reconciliarem com Deus (2 Coríntios 5:20). O evangelista D.L.Moody tinha razão em dizer: “Olho para este mundo como um navio que esgtá afundando. Deus me deu um bote salva-vidas e me disse: ‘Moody, salve os que você puder’” É impossível completar a boa obra do evangelismo mundial e, ao  mesmo tempo, tentar construir o reino de Deus [aqui e agora], envolvendo-nos em maciços esforços sócio-políticos. Não há tempo nem recursos para fazer os dois e a história nos mostra que, quando os cristãos tentam salvar a sociedade (para não dizer a Terra), o evangelho da salvação pessoal é relegado ao fundo de um vagão e logo atirado para fora.

Quarto, a doutrina do Arrebatamento iminente conserva os cristãos longe da heresia e da apostasia.

O fato da igreja emergente ter rejeitado esta doutrina constitui um erro muito grave.

MISTICISMO CONTEMPLATIVO

O misticismo contemplativo jaz no coração da igreja emergente. Ele é um elo poderoso que está atraindo os evangélicos a se aliarem à Igreja de Roma, às religiões pagãs como o Hinduísmo e o Budismo, a todos os cristãos praticantes da oração contemplativa e aos novaerenses.

Roger Oakland observa que: “o vento é para um bote o que a oração contemplativa é para a igreja emergente”. (Faith Union, p. 81).

O misticismo está permeando a cristandade em todos os níveis. Úrsula King observa que: “Os últimos anos têm visto um maior interesse e fascinação pelos místicos de todas as eras e todas as fés dos períodos antigos da história”. (Christian Mystics, p. 22).

O misticismo contemplativo é uma tentativa de se comunicar experimencialmente com Deus e de conseguir uma compreensão espiritual além das páginas  da Bíblia, especialmente através das práticas monásticas do Catolicismo Romano, tais como: oração centralizante, oração visualizante, Lectio Divina [ou Leitura Orante [da Bíblia]] e orações repetitivas, como a “oração de Jesus”.

O misticismo contemplativo foi apresentado na Conferência Nacional de Pastores pelos seguintes livros publicados pela InterVarsity Press’s Formatio:

“Sacred Rythms”,de Ruth Haley Barton, IVP, 2006), cujo capítulo 3 trata da Lectio Divina [Leitura Orante [da Bíblia]];

“The Pass of Celtic Prayer: An Ancient Way to Everyday Life”, de Calvin Miller (IVP, 2007);

“Celtic Devotions”, de David A. de Silva (IVP, 2008). Este livro não ensina o misticismo católico contemplativo em si, mas está conectado ao mundo mais amplo do misticismo contemplativo, quando apresenta uma recomendação do místico quaker, Richard Foster;

“Spiritual Disciplines Handbook: Practices That Transform Us”, de Adele A. Ahlberg Calhoun (IVP, 2005). Este livro trata da contemplação, solitude, retiro, silêncio e direção espiritual;

“A Community Called Taize: A Story of Prayer, Worship and Rvonciliation”, de Jason Brian Santos (IVP, 2003). Taize é uma comunidade influente, radicalmente ecumênica na França, meio protestante e meio católica, liderada por um padre católico.

Documentamos o perigo espiritual desta prática no [nosso] novo livro “Contemplative Misticism: A Powerful Ecumenic Bond”.

O QUE LEVOU O [NEO-] EVANGELICALISMO A ESTE PONTO E O QUE DEVEM OS CRENTES BÍBLICOS BATISTAS CONCLUIR DISSO?

O movimento evangélico [no sentido de séculos] sofreu uma dramática mudança de direção 50 anos atrás [com o surgimento do NEO-evangelicalismo], e vemos os chocantes frutos dessa mudança, atualmente. Ela se tornou grande, influente e rica; mas, espiritualmente destituída e repleta de heresias.

Como o [neo-] evangelicalismo pôde chegar ao ponto dos seus líderes mais influentes aceitarem uma novela [A Cabana] descrevendo Deus como uma mulher que nunca julga a ninguém?

Vejamos a seguir algumas coisas que levaram o [neo-] evangelicalismo a este ponto, aliás, as mesmas coisas que estão aceleradamente entrando nas igrejas bíblicas fundamentalistas. Quanto às igrejas batistas independentes, em particular, elas se encontram no mesmo ponto [ladeira abaixo] em que o neo-evangelicalismo se encontrava há quatro décadas atrás.

(1) Evangelismo Superficial e Confusão sobre o Evangelho

As igrejas evangélicas estão cheias de cristãos nominais, os quais não têm um claro testemunho do novo nascimento. Na Conferência Nacional de Pastores, indaguei a várias pessoas quando elas foram salvas e ouvi os testemunhos de vários preletores. Os testemunhos de salvação bíblica foram pateticamente raros. Um pastor luterano me disse que sempre [!] havia sido um cristão.

De fato, a Conferência fez o seu próprio levantamento de dados estatísticos, ao longo desta linha. Aos frequentadores foi indagado: “Qual a porcentagem da sua congregação que tenta viver ativamente o que a Bíblia ensina?” Uma assustadora maioria dos pastores, cerca de 80%, respondeu que menos de ¼ dos membros de sua igreja estava [pelo menos] tentando obedecer a Bíblia!

O que significa isto, senão uma falta de salvação bíblica? “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra”. (Tito 1:16).O Apóstolo João acrescentou: “Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade”.  (1 João 2:4).

O livro “Emerging Churches”, de Eddie Gibbs e Ryan Bolger, contém o testemunho de dúzias de líderes da igreja emergente. Poucos são os que têm uma semelhança com a salvação bíblica. Vejamos os seguintes típicos exemplos:

Jonny Baker de Grace, Londres, Inglaterra: “Eu amava Deus, ou melhor, sabia que era amado por Ele, desde minha tenra idade [!]. De fato, recebi o dom de línguas, quando tinha apenas 4 anos de idade”. (p. 240).

Kester Brewin, de Vaux, Londres, Inglaterra; “Não posso apontar um rally do Billy Graham, em 1984, como uma conversão, mas, realmente, foi mais de um momento de fortificar a fé, a qual sempre [!] havia estado ali” (p. 248).

Roger Ellis, da Revelation Church, em Chichester, Inglaterra: “Nos meus passados anos da adolescência, tive uma forte experiência com Deus, um encontro com o Espírito, numa louca igreja carismática, estrada abaixo”. (p. 268).

Barry Tailor, do Sanctuary, em Santa Mônica , CA: “Afinal, eu não pregava o Cristianismo; em vez disso, apanhei Jesus, porque Jesus parecia legalzinho e tratava as pessoas bondosamente. Desde aquele tempo, prometi seguir Jesus” (p. 311).

 Andy Thomas, do Late Service, em Glasgow: “Quando eu tinha 17 anos, fiz uma oração, o que não foi problema, porque, REALMENTE, EU NÃO ME VIA COMO UM INCRÉDULO. Eu me senti algo aquecido, seguro e muito energizado”  (p. 314).

A verdade é que muitos dentro da igreja emergente decidiram que a salvação não é um evento, mas um processo. Shane Hipps, um dos preletores da Conferência Nacional de Pastores, diz: “... Tem havido uma crescente aceitação de um conceito de [gradual] processo de salvação e... as categorias de crentes e incrédulos... já não são usados para definir um objetivo para o evangelismo” (Hipps, “The Hidden Power of Electronic Culture, Zondervan, 2008, pp. 78, 81).

Considerem Robert Webber, uma das vozes mais influentes na igreja emergente. Ele cresceu no lar de um pastor batista fundamentalista, mas o que está faltando na narrativa da sua auto-biografia é um testemunho bíblico de salvação. Webber argumentou que a salvação não precisa ser uma experiência drástica de salvação, tendo admitido que ele mesmo nunca teve esta experiência. Ele disse que o arrependimento “pode ter um início dramático ou pode vir, com o tempo,  como o resultado de um processo”. (The Divine Embrace, p. 49). Ele chegou a ver a salvação como um processo sacramental, o qual se inicia com o batismo e esta é a razão por que ele se juntou à igreja episcopal e se sente perfeitamente bem em relação ao Catolicismo Romano. Webber descreveu muitas experiências que teve com os seus alunos, no Wheaton College, mas não deu exemplo algum de tê-los aconselhado a respeito da salvação pessoal.

A pureza do evangelho e a salvação pessoal são fundamentais para manter a verdade e conservar as igrejas puras; salvação é um nascimento sobrenatural e não um processo sacramental. Os que não são salvos não têm o Espírito Santo de verdade habitando neles, não podem interpretar adequadamente a Bíblia, nem ter zelo algum em defendê-la.

Os batistas fundamentalistas estão em perigo, por causa da técnica da oração rapidinha, que é tão rompante. Refiro-me à metodologia de ganhar almas, que é rápida no sentido de manipular alguém para que faça a oração rapidinha, usando a técnica de vendagem, mesmo quando não existe evidência alguma de convicção de pecado, de arrependimento e de fé salvadora. Ela se apressa em dar à pessoa uma segurança individual, sem que haja evidência alguma de que ela esteja salva. Minha esposa e eu tentamos seguir, nos anos passados, campanhas de ganhar almas, usando a técnica da oração rapidinha. Uma igreja que freqüentamos, há 30 anos, tinha um programa Foster Club [uma espécie de tentativa de “amamentação espiritual”] e as mulheres saíam toda semana, regressando com um registro de como as pessoas tinham sido “salvas”.  O pastor nos pediu para conferi-lo, tendo nos dado um maço de cartões; mas, quando tentamos fazê-lo, descobrimos que essas pessoas “salvas” não tinham interesse algum nas coisas de Cristo e nem sequer desejavam falar conosco. Há uns oito anos, conferimos os cartões de decisões preenchidos com os nomes dos que haviam feito a oração rapidinha, através de um ministério de County Fair [feira-livre do condado]. Novamente, das muitas pessoas que haviam sido “salvas” não conseguimos encontrar uma sequer interessada em frequentar a igreja ou se encontrar conosco, para estudar a Bíblia. A marca infalível da oração rapidinha está em quando apenas uma muito pequena porcentagem de “salvações” registradas têm qualquer realidade bíblica. Alguns vão argumentar que, pelo menos, o evangelho está sendo pregado e algumas [0,1% ?] das pessoas contabilizadas estão sendo [realmente] salvas; mas o fato é que muitíssimas pessoas [as outras 99,9%?] estão sendo inoculadas contra a verdade. Quando se encontra uma vítima do programa da oração rapidinha e se tenta falar com ela sobre a salvação de sua alma, ela vai logo respondendo: “já fiz isso”, mesmo que esteja vivendo uma vida igual à do diabo. O que ela quer dizer é que já “fez a oração” e recebeu a garantia da salvação, através de um evangelista da oração rapidinha.

Pode ser esta uma das principais razões pela qual o movimento das igrejas batistas [fundamentalistas] independentes tem fracassado, sempre e sempre, por causa da imoralidade, da superficialidade bíblica e da carnalidade.

As igrejas que não forem excessivamente cuidadosas a respeito da salvação e do recebimento de membros podem ficar repletas de cristãos nominais. Em nossa obra missionária de quase duas décadas, temos pregado para hindus no sul da Ásia e a primeira inclinação deles, após aceitarem o evangelho, é anexar Jesus aos seus outros deuses e se tornarem meio hindus e meio cristãos. Visto como não queremos meio hindus  e meio cristãos como membros da igreja, temos o maior cuidado, quando recebemos pessoas na membresia. Costumamos lidar cuidadosa e pacientemente com elas, a fim de ter a certeza de que elas realmente entenderam o evangelho e o propósito do batismo. No final das aulas, elas vão à frente dos líderes da igreja e de suas esposas, a fim de dar o seu testemunho. Se algum líder tiver dúvida sobre a convicção de alguma delas, nós deixamos o seu batismo de lado. E o processo não termina aqui. No dia em que temos o culto do batismo, os candidatos comparecem diante de toda a igreja e aos membros é permitido fazer perguntas, quando houver alguma dúvida. A razão pela qual agimos assim é para proteger as igrejas e manter a pureza da obra de Cristo, nestes tempos trabalhosos.

Conservar puro o evangelho e ser cuidadoso a respeito da salvação e da membresia da igreja é fundamental para tudo o mais que fazemos.

(2) Filosofia do nunca julgar ninguém; tolerância doutrinária; [somente] enfatizar as coisas positivas, nunca criticar as negativas

Outra coisa que tem levado o movimento [neo-] evangélico à sua atual apostasia é a filosofia de não julgar. Quando o neo-evangelicalismo foi fundado, depois da II Guerra Mundial, seus líderes rejeitaram a proposta “negativa” do antigo fundamentalismo. Eles queriam um Cristianismo mais positivo e menos crítico.

Contudo, esta é uma clara rejeição ao comando da Bíblia de reprovar e corrigir o pecado e o erro. É uma rejeição ao exemplo dos apóstolos e profetas, os quais exerceram plenamente este ministério. João, o batista, foi decapitado por ter reprovado o casamento ilícito de um líder político do seu tempo. O Senhor Jesus Cristo condenou os fariseus em termos severos (Mateus 23). O Apóstolo Paulo identificou e condenou, continuamente, o pecado e os hereges, do mesmo modo como o fizeram Pedro, Tiago e João.

Quando esse tipo de julgamento é desprezado, o diabo fica livre para agir e o pecado e o erro se espalham, tremendamente.

A Conferência Nacional de Pastores, em San Diego , entrevistou Leighton Ford, cunhado do Billy Graham. Eu lhe disse que esta Conferência representa o estado atual do [neo-] evangelicalismo e indaguei se ele estava satisfeito com o rumo que o movimento tem tomado, nos últimos cinquenta anos. Lembrei-o de que existem altas vozes dentro do [neo-] evangelicalismo que estão questionando doutrinas cardeais, como o próprio evangelho, a expiação vicária [pelo sangue de Cristo tomando sobre Si todos os meus pecados, morrendo em meu lugar, como meu substituto, literalmente] e da eternidade [e literalidade] do inferno e do seu fogo. Foi uma boa oportunidade ele ter respondido: “Estou muito triste pelo fato de termos chegado a este ponto. Os que ensinam o erro deveriam ser condenados e não louvados. Brian McLaren, por exemplo, está destruindo a fé das pessoas com as suas heresias, e William Young está pregando um falso deus”. Mas Leighton Ford não falou nada disso, é claro. Em vez disso, ele respondeu:“Não vou criticar os outros” e bruscamente nos fez calar quando tentamos prosseguir no assunto.

Pode parecer muito piedoso não criticar os confrades cristãos, mas esta é uma clara desobediência à Palavra de  Deus, conforme Romanos 16:17:
“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles”.

A filosofia do “não quero criticar os outros” é o princípio fundamental que tem destruído o [neo-] evangelicalismo. Os que crêem na Bíblia e recusam levantar a voz contra o erro são traidores do Senhor Jesus Cristo. Eles capacitam o erro a crescer e prosperar. Eles são uns “inocentes úteis” dos hereges e dos comprometidos com o erro. Quando Billy Graham pregava nas igrejas católicas, por exemplo, ele o fazia de maneira vaga, recusando-se a identificar o Romanismo como sendo claramente falso e como o seu evangelho estava em franco contraste com a Bíblia.  O resultado é que os ouvintes acreditavam piamente que ele estava dizendo as mesmas coisas que os padres dizem e continuavam perdidos. Isto é indefensável!

Testemunhamos a mesma coisa  na Conferência Nacional de Pastores. Bill Hybels pregou àquela multidão uma mensagem mista [de crentes e católicos e etc.], dizendo que ela “escutasse os sussurros de Deus”, que prestasse atenção no que Deus lhe dissesse para fazer. O que ele falou não é falso e ele até mostrou alguns pontos corretos, dando, até mesmo, um testemunho de [sua própria] conversão; mas ao fingir que seus ouvintes eram [todos eles, ou mesmo a maioria deles] pessoas salvas, sãs na fé, sem identificar as heresias ali presentes, Hybel colaborou com o diabo e suas mentiras, [se qualquer um desses sussurros não estiver embasado totalmente na Bíblia].  Pois ele encorajou Brian McLaren, por exemplo, a escutar os sussurros que estão lhe dizendo para redefinir Deus.

(3) Rejeição à Separação Bíblica

De mãos dadas com a filosofia de “não julgar” é a rejeição à separação bíblica. Harold Ockenga, o qual afirma ter cunhado o termo “neo-evangelicalismo”, disse, em 1948: “Rejeitamos o separatismo”. (Para documentação sobre isto, ver o nosso livro “New Evangelicalism: Its History, Characteristics and Fruits).

Rejeitar o separatismo é o mesmo que rejeitar o comando de Deus e remover a parede de proteção que Ele nos deu, a fim de nos proteger dos ventos do erro e das astúcias do diabo. Não é de admirar que o neo-evangélico esteja, literalmente, cheio de confusão doutrinária. A Palavra de Deus adverte: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15:33).

Sob esta luz, é assustador que exista entre os batistas fundamentalistas uma crescente rejeição ao separatismo bíblico. Existe uma mudança de atitude e um desprezo ao “julgamentismo”. Existe uma crescente simpatia pelos neo-evangélicos, ou seja, por Billy Graham, Anne Graham Lotz, Chuck  Swindow, Charles Stanley, James Dobson,  David Jeremiah, Kay Arthur, John Maxwell, Philip Yancey, Max Lucado, Ravi Zacarias e uma porção de outros. Existe um crescente relacionamento entre [de um lado] os membros das igrejas batistas independentes e [no lado oposto] os programas de rádio e as livrarias como a Family Christian Bookstore e Lifeway Christian Stores, as quais estão repletas da filosofia neo-evangélica. (Para mais informação sobre isto, ver os artigos: “Danger in Christian bookstores” e “Danger on Christian Radio”, no site da Way of Life).

(4) Ignorância bíblica e falta de [verdadeira, bíblica] erudição nos assuntos que hoje encaramos

A média dos membros das igrejas evangélicas é biblicamente ignorante, não [biblicamente] erudita nos assuntos espirituais. Muito poucos podem explicar a natureza do evangelho sacramental de Roma ou da missa. Muitos poucos estão equipados para refutar os erros e perigos espirituais tão graves como os do Pentecostalismo, do Adventismo do Sétimo Dia, do Misticismo Contemplativo e da Nova Era. [N.T. - Um grande número de pastores tem caído nesse tipo de cilada, por preguiça de pesquisar as seitas e movimentos espúrios que têm surgido].

Duvido que a média dos membros das igrejas fundamentalistas [chamadas de “crentes na Bíblia”] tenha mais erudição [bíblica].

É mais imperativo do que nunca que os pastores embasem o seu povo na Palavra de Deus, treinando-o para discernir os erros atuais. É imperativo que os colégios e seminários bíblicos fundamentalistas preparem adequadamente os seus alunos para que estes possam resistir a esta onda de erro.

Muito frequentemente pode-se dizer  sobre as igrejas cristãs bíblicas de hoje o mesmo que Oseías 4:6 diz: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”.

A média dos membros de uma igreja crente na bíblia não está equipada para lidar efetivamente com os perigos espirituais que espreitam às escondidas nas prateleiras das típicas livrarias evangélicas e transmissões das estações de rádio cristãs. A média do povo da igreja recebe pouca ou nenhuma advertência dos seus pastores e mestres, que não tem interesse algum em fundar uma livraria com material que possa ajudar a protegê-los dos perigos espirituais. [N.T. - Infelizmente, o amor dos livreiros ao dinheiro supera o amor à Palavra de Deus. Um exemplo disto é que a maioria está vendendo hoje a Bíblia Dake e sempre tem vendido todas as edições corrompidas da Bíblia].

Se esta situação não for resolvida, os Brians McLaren deste mundo irão, sem dúvida alguma, devorar nossos filhos e netos, exatamente como pretendem fazer.

(5) Mundanismo

O neo-evagelicalismo rejeita o separatismo e tem tido o objetivo de comunicar-se com a cultura moderna, sendo surpreendente observar como ele tem se corrompido através desta comunicação. (1 Coríntios 15:33).

Em 1978, Richard Quebedeaux observou: “No curso de estabelecer a sua respeitabilidade aos olhos da sociedade mais ampla, aos evangélicos têm-se tornado mais e mais difícil se distinguirem dos outros povos”. (The Worldly Evangelicals, p. 14) e“... A cultura mais aberta tem exercido um profundo impacto no movimento evangélico, como um todo” (p. 115). Ele descreve como os evangélicos estão “se habituando à música rock”, dançando, bebendo, fumando, assistindo a filmes mundanos, divorciando-se e recasando, aderindo à profanidade, vendo pornografia e até mesmo fumando maconha”.

Também tem acontecido uma capitulação à cultura pop, à música mundana, aos deuses mundanos do esporte, à modas e às causas mundanas, tais como ambientalismo, feminismo e direitos civis para os homossexuais.
      
O mundanismo é obra da carne e cega espiritualmente. O Apóstolo Pedro nos admoesta:  “Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma”. (1 Pedro 2:11) [N.T. - e  Paulo os exorte a fugir da carne, porque “a carne cobiça contra o Espírito” Gálatas 5:17].

(6) Versões Modernas da Escritura Sagrada

A aceitação das versões moderninhas tem enfraquecido a autoridade da Bíblia entre os evangélicos. Quando assisti a um culto na Saddleback Church, alguns anos atrás, observei que poucas pessoas carregavam uma Bíblia. Quando entrei no prédio, deram-me um boletim contendo o programa do culto matinal, com versos bíblicos ali impressos.  

[Na Igreja de Saddleback] várias versões da Bíblia foram usadas para uma única mensagem, de modo que seria impossível seguir a leitura pela própria Bíblia, conseguindo encontrar os versos que eram usados na mensagem. [N.T. - E já que quase cada crente leva uma versão diferente da Bíblia em nossa PIBT , resolvi aderir à variedade, levando a minha Bíblia King James no original].

Nesse ambiente, um claro “Assim diz o Senhor” é substituído pela frase: “Minha versão diz assim e assim... e o que diz a sua?”  Essa prática de usar várias versões serve apenas para “fantasiar”, em vez de entregar uma verdadeira pregação bíblica. [N.T. - E quando estamos numa igreja pentecostal, onde os pregadores usam somente o Velho Testamento, aí a coisa fica mais “fantasiada”!].

As igrejas batistas fundamentalistas que estão adotando as novas versões da Bíblia deveriam observar este perigo, a fim de não se precipitarem no desastre espiritual.

(7) Música Contemporânea

A música contemporânea cristã é um dos laços ecumênicos de hoje. A mesma música é usada pelos católicos, luteranos, metodistas, presbiterianos, batistas e outros. A verdade é que quando eu preguei nas Filipinas, entrei numa livraria católica romana e ali estava sendo tocada “música evangélica” contemporânea.

Esta música é sensual (como o rock pesado, por exemplo), doutrinariamente superficial, orientada à experiência, e cheia de repetições. Ela desvia o crente do senso crítico, encorajando uma proposta de fé emocional mais abrangente. E quando esta música entre numa igreja crente na Bíblia, eventualmente ela consegue mudar tudo.

 O falecido evangelista Gordon Sears admoestou: “Quando o modelo- padrão de música é rebaixado, então o modelo- padrão das vestes também é rebaixado. Quando o modelo- padrão das vestes é rebaixado, então o modelo- padrão de conduta também é rebaixado. Quando o modelo- padrão da conduta é rebaixado, então o senso de valor da verdade de Deus também é rebaixado”.

Ernest Pickering fez a mesma admoestação: “Talvez nada precipite mais uma queda em direção ao neo-evangélico do que a introdução da música cristã contemporânea. Esta conduz, inevitavelmente, a uma queda gradual em outras áreas, até que toda a igreja seja infiltrada de idéias e programas alheios à posição [bíblica] original da igreja”.

Frank Gullock diz: “Quando uma igreja começa a usar a música cristã contemporânea, eventualmente ela perderá outros padrões”.
(Para documentação destas citações ver: “Contemporary Music: Some Questions Answered and Some Warnings Given”, disponíveis no Website da Way of Life).

(8) Orgulho da Erudição [falsa, secular, não derivada somente da Bíblia]

Outra coisa que eu desejo mencionar, a qual levou o [neo-] evangelicalismo à sua apostasia atual, é o seu orgulho da [pseudo, falsa, secular] erudição. Ao falar na Associação Nacional de Pastores, em 1971, Billy Graham disse: “Creio que a Christianity Today tem desempenhado um papel muito importante ao dar aos evangélicos essa respeitabilidade intelectual, uma iniciativa que era tão drasticamente necessária, 29 anos atrás”.

J. R. W. Stott, cujos livros são publicados pela InterVarsity Press, disse: “Durante 50 anos ou mais, instei os autênticos cristãos evangélicos a não serem fundamentalistas. Os fundamentalistas tendem a ser anti-intelectuais...”. (Stott,Essencials: A Liberal-Evangelical Dialogue, 1988, p. 90). Os evangelistas mais jovens na igreja anglicana, os quais foram profundamente influenciados por Stott, estão em uma“busca por uma teologia respeitável” (Ian Murray, Evangelicalism Divided, p. 175).

A exigência de uma respeitabilidade erudita, aos olhos do Cristianismo apóstata e do mundo, tem levado os homens a se afastarem muito da simplicidade e dogmatismo bíblicos.

O bom estudo é importante (2 Timóteo 2:15; Tito 1:19), mas o orgulho do intelecto é letal. Deus nos admoesta contra esse tipo de soberba: “Em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria”.

O Apóstolo Paulo diz: “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele”.  (1 Coríntios 1: 26-29).

Ganhar impressionantes credenciais na erudição exige sentar-se aos pés e se aliar intimamente aos descrentes e aos apóstatas, o que é excessivamente perigoso e proibido fazer: (Salmo 1:1-3; Romanos 16:17; 2 Coríntios 6:14; 2 Timóteo 3:5 e 2João 9-11).

O orgulho da erudição [intelectual, acadêmica] é um perigo real para muitos batistas independentes. Esta é uma das razões por que o Calvinismo e a Teologia Reformada estão se alastrando [entre batistas]. E os supostos intelectuais são os que estão  adotando o texto grego [de Westcott e Hort], nas versões moderninhas.

De fato, a igreja emergente já está alcançando os batistas independentes. Não se trata de algo “ainda distante”. Suas sementes destrutivas estão sendo semeadas em nosso exato meio e a ignorância e apatia não conseguirão vencer esta batalha.

David Cloud -  “The Emerging Church Is Coming” - 07/12/2011.
Mary Schultze, 13/12/2011 - www.maryschultze.com